Ilustração de um Dolphin Mini e um Volkswagen Polo diante de uma casa com painéis solares e ponto de recarga.
Imagem ilustrativa criada para este artigo; não representa uma obra executada.

Quais carros entram nesta comparação?

Para evitar misturar versões, considerei o BYD Dolphin Mini GS 5 EV, elétrico, e o Volkswagen Polo MPI 1.0, manual de cinco marchas, abastecido com gasolina. Outros Dolphin Mini e Polo, especialmente versões GL ou TSI, podem apresentar resultados diferentes.

Na tabela PBE Veicular 2026 do Inmetro, o Dolphin Mini GS 5 EV apresenta consumo energético de 0,41 MJ/km. O Polo MPI 1.0 manual apresenta 13,5 km/l na cidade, 15,7 km/l na estrada e 14,4 km/l no combinado com gasolina. Usei o combinado do Polo como referência de planejamento; não é um comparativo de desempenho entre carros equivalentes em todos os aspectos.

As premissas: números para simular, não uma promessa

Os dois carros percorrem 1.000 km por mês, ou 12.000 km por ano. Para o Dolphin Mini, adotei uma hipótese editorial de 15 kWh a cada 100 km medidos no ponto de recarga: 150 kWh mensais. Esse número não é uma medição deste site nem o consumo oficial do modelo; é uma premissa de orçamento que deve ser substituída pelo consumo real do usuário.

Para referência, 0,41 MJ/km corresponde a aproximadamente 11,39 kWh/100 km. A metodologia do Inmetro considera energia de fonte externa ao veículo. Por isso, não somei novamente uma porcentagem genérica de perda de recarga ao valor convertido. A hipótese de 15 kWh/100 km já representa todo o consumo assumido no ponto, e pode ser superada ou reduzida conforme o uso.

Adotei gasolina a R$ 6,50/l e energia comprada da rede a R$ 1,10/kWh. São preços ilustrativos, não médias atuais atribuídas à ANP nem tarifa de uma distribuidora. Troque-os pelo preço do seu posto e pelo custo variável aplicável à sua fatura, incluindo tributos e bandeira quando incidentes.

No cenário solar, considerei que 50% da energia destinada ao carro seja atendida diretamente pela geração durante a recarga, com excedente disponível após as outras cargas da casa. Os outros 50% vêm da rede. Isso depende de horário, geração, controle da recarga e presença do veículo. Não estou tratando créditos noturnos como se fossem consumo direto.

Nesta comparação, a referência do Polo vem da etiqueta e a do Dolphin é uma hipótese de planejamento, não um ensaio dos dois no mesmo trajeto. Para atualizar o combustível, consulte o levantamento de preços da ANP.

Quanto sai do bolso com combustível ou energia comprada?

A tabela compara apenas a despesa variável com gasolina ou eletricidade comprada para rodar. Não representa o custo total do carro nem da instalação solar. Valores arredondados; projeção anual com os mesmos preços e a mesma rodagem.

Simulação para 1.000 km por mês — premissas descritas acima
CenárioConsumo mensalGasto mensalGasto anual
Polo MPI 1.0 — gasolina69,44 litrosR$ 451,39R$ 5.416,67
Dolphin Mini — só rede150 kWh da redeR$ 165,00R$ 1.980,00
Dolphin Mini — 50% solar direto75 kWh da rede + 75 kWh solaresR$ 82,50*R$ 990,00*
Gasto mensal com combustível ou energia comprada
Polo · gasolinaR$ 451,39
Dolphin Mini · redeR$ 165,00
Dolphin Mini · 50% solar diretoR$ 82,50*

* A parcela solar não recebeu preço nesta tabela de desembolso com energia comprada. Investimento, financiamento, manutenção e valor alternativo dos créditos solares não estão incluídos. R$ 82,50 não é o custo total da recarga.

Como cheguei aos resultados

Polo: 1.000 ÷ 14,4 = 69,44 litros. Multiplicando o valor não arredondado por R$ 6,50, o resultado é R$ 451,39 por mês.

Dolphin na rede: 1.000 × 15 ÷ 100 = 150 kWh. A R$ 1,10/kWh, são R$ 165,00. Neste cenário, a diferença para o Polo é R$ 286,39 por mês, cerca de 63,4% no gasto variável comparado.

Dolphin com 50% solar direto: 150 × 50% = 75 kWh comprados. A despesa com a rede é R$ 82,50. A redução adicional em energia comprada é de R$ 82,50 em relação ao elétrico abastecido só pela rede; o benefício econômico líquido depende do custo e do uso alternativo dessa geração.

Em reais por quilômetro, os valores são aproximadamente R$ 0,45 para o Polo, R$ 0,17 para o Dolphin só na rede e R$ 0,08 de energia comprada para o Dolphin no cenário solar. Seguro, pneus, manutenção, impostos, depreciação, financiamento e aquisição dos carros ficaram fora da conta. Não use essa diferença isolada como prazo de retorno da troca de veículo.

E se o consumo ou a tarifa forem diferentes?

Com a mesma energia a R$ 1,10/kWh, o Dolphin custaria R$ 132,00 por mês a 12 kWh/100 km ou R$ 198,00 a 18 kWh/100 km. Com 150 kWh/mês e tarifa de R$ 1,30/kWh, seriam R$ 195,00. São cenários de sensibilidade, não resultados medidos.

No Polo, mantendo a gasolina a R$ 6,50, o uso da referência urbana de 13,5 km/l levaria a R$ 481,48 por mês. A referência rodoviária de 15,7 km/l levaria a R$ 414,01. Trânsito, relevo, velocidade, climatização e forma de dirigir alteram o resultado. Recarga pública também exige usar o preço do operador, incluindo eventuais taxas.

Onde a energia solar ajuda de verdade

A vantagem é usar uma fonte que você já pode gerar no imóvel para atender parte de uma nova demanda. Quando o carro está em casa durante a produção solar e há energia disponível, a recarga pode reduzir a compra da rede. Programação de horários e controle compatível com a instalação ajudam a aproveitar essa oportunidade.

Se você só chega à noite, os painéis não geram naquele horário. A energia pode vir da rede, com compensação conforme o enquadramento no sistema da distribuidora. Créditos de energia não são uma bateria física. Armazenamento em baterias seria outro investimento, que não entrou nesta simulação.

A ANEEL explica o sistema de compensação e os custos que permanecem na fatura. Portanto, ter placas não autoriza prometer conta zerada. Veja também por que quem tem energia solar ainda recebe conta de luz e o que acontece quando falta energia.

Preciso aumentar meu sistema solar?

Primeiro, confira o histórico: sua geração atual já atende a casa? Há excedente utilizável? Em que horários? Adicionar 150 kWh mensais de consumo ao cenário exige avaliar o saldo do imóvel, e não apenas contar painéis.

Como exercício de dimensionamento energético, se uma instalação produzir 120 kWh por mês para cada kWp instalado, 150 kWh/mês exigiriam cerca de 1,25 kWp adicionais. A produtividade de 120 é uma hipótese ilustrativa, não uma previsão para o seu telhado. Orientação, sombreamento, perdas, sazonalidade, equipamentos e conexão precisam ser estudados.

Gerar essa energia ao longo do mês não garante que ela esteja disponível no horário de recarga. Antes de ampliar, leia o que avaliar ao adicionar módulos fotovoltaicos e como o sombreamento interfere no projeto.

Como preparar uma avaliação para sua casa ou condomínio

  1. Reúna 12 meses de contas de energia e, se já tiver solar, relatórios de geração e documentos do sistema.
  2. Informe a versão do carro, rodagem mensal e horários em que ele permanece no imóvel.
  3. Separe a ficha do carregador e solicite avaliação da instalação, da demanda e das condições de conexão.
  4. Peça uma comparação entre recarga pela rede, aproveitamento solar disponível e eventual ampliação, com investimento e custos recorrentes separados.
  5. Se mora em condomínio, organize o pedido e o critério de cobrança antes da obra. O artigo sobre quem paga a recarga e como solicitar um ponto traz um roteiro e uma mensagem-modelo.

Uma conta boa precisa combinar com a sua rotina

Eu posso ajudar a avaliar a instalação, o ponto de recarga e o projeto fotovoltaico em conjunto. Quando necessário, o planejamento passa por projeto elétrico e instalação, com escopo e responsabilidade técnica definidos.

O objetivo é transformar uma estimativa em uma decisão baseada no seu consumo, no seu imóvel e nos horários em que você realmente pode carregar.

Conheça o serviço de energia solar e conte sua necessidade para definir o próximo passo.

Referências para consultar

Fontes consultadas em 30 de setembro de 2026.